Área de jogo

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Área de jogo

Mensagem por Matheus em Seg Set 05, 2016 11:58 pm

Primeiro turno.
A história de Mateus começa assim.

Nos seus registros consta que nasceu no Rio de Janeiro, cidade capital e sua aparição no mundo foi um tanto trágica. Sua família morava numa bela casa vitoriana na parte nobre do Rio, numa madrugada os vizinhos acordaram assustados, a casa ardia em chamas, não só ela, mas todo o terreno, os jardins, o belo gramado, toda a área era consumida pelo fogo.
Os bombeiros demoraram cerca de duas horas para conseguir controlar a situação e mais uma para conseguir entrar na casa. Quando entraram a cena foi macabra, uma mulher com o corpo carbonizado estava pendurada no lustre de metal da sala principal, uma escada de madeira quase inteiramente consumida estava no chão, no canto da sala havia um corpo irreconhecível sentado no que havia sobrado de uma poltrona, tinha uma arma firmemente segurada na mão esquerda. Quando subiram para os quartos superiores encontraram duas crianças deitadas em suas camas, a autópsia mais tarde mostraria que ambas havia levado um tiro na cabeça. Os bombeiros e nem a polícia conseguiu entender o que tinha acontecido. O laudo final foi que o pai, por algum motivo desconhecido, havia obrigado a mulher a se enforcar, matado os dois filhos, ateado fogo na casa e se matado em seguida.
Mas a coisa mais estranha foi o que encontraram no porão.
Quando os bombeiros desceram até lá o lugar inteiro estava em cinzas, exceto por uma porta de metal que tinha um cadeado trancado por fora, quando abriram encontraram um garotinho lá dentro, vivo, devia ter por volta dos seis anos, ele estava bem protegido no único lugar da casa em que o fogo parecia não ter alcançado, no entanto quando a polícia analisou o local chegaram a conclusão de que o garoto era mantido lá, havia uma cama, alguns brinquedos e nada mais.
Ele foi reconhecido como Mateus, o filho mais novo da família, quando tentaram localizar o resto da família não encontraram ninguém, estranhamente todos os parentes, tios e avós haviam morrido nos últimos dois anos. Uma família marcada por várias tragédias.
Então Mateus foi mandado para um orfanato, era um garoto muito quieto, não falava nada, passava os dias em total letargia, mas mesmo assim era transferido de orfanato constantemente, porque em cada lugar em que ficava coisas estranhas começavam a acontecer, mortes e acidentes que deixavam todos assustados, ninguém nunca pode provar que a culpa era do garoto, ele não falava e estava sempre andando pelos cantos, passava a maior parte do tempo no pátio, além do mais era só uma criança traumatizada por perder a família, não tinha como fazer aquelas coisas.
As três famílias que o adotaram também tiveram um final trágico, a primeira o pai degolou a família inteira enquanto dormia e depois se jogou da janela do apartamento, Mateus foi encontrado preso dentro de um dos armários da cozinha.
A segunda a mãe colocou sonífero na comida da família e enquanto eles dormiam fatiou um por um e colocou todos os pedaços na geladeira, depois tomou um frasco inteiro de veneno, Mateus foi encontrado dormindo em sua cama.
A terceira o filho mais novo foi encontrado na sala com a garganta degolada, segurando um machado, o resto da família estava irreconhecível, Mateus estava de baixo da cama dos pais.
Então com dez anos ele foi mandado para um reformatório, na verdade ninguém sabia o que fazer com ele. E foi no quarto reformatório que a S.H.I.E.L.D o encontrou e o levou embora, então com quatorze anos ele matou treze agentes nos quatros anos em que ficou lá. Todos das maneiras mais bizarras possíveis.
O cientista responsável diagnosticou psicopatia, mas havia mais, muito mais. Mateus parecia conseguir com que as pessoas a sua volta fizessem o que ele queria, por duas vezes congelou os agentes que vinham lhe servir a comida, em outras incendiou a propria cela, conseguia dobrar qualquer metal como se fosse uma folha de metal, então foi submetido a testes, tantos quanto foram possíveis e descobriram que havia algo de errado em sua genética, o gene foi isolado e estudado, a S.H.I.E.L.D viu ai uma oportunidade de obter mais poder, desenvolver uma forma de transmitir os poderes de Mateus para outras pessoas. O garoto foi esquecido pelo resto do mundo e virou o que a S.H.I.E.L.D chamava de paciente 0.
Naquela manhã Mateus estava completando dezenove anos, não que alguém além dele lembra-se disso, nos últimos anos provavelmente até seu nome fora esquecido, mas mesmo assim estava ganhado um presente, depois de matar o cientista chefe do seu setor haviam resolvido que ele seria transferido para São Paulo. As vezes Mateus se esquecia da vida que tinha antes da S.H.I.E.L.D, tinha sua cabeça e corpo revirados tantas vezes que o tempo que havia passado com eles parecia ter sido sua vida inteira, tentaram prendê-lo dentro de caixas de metal, de concreto, de todos os materiais conhecidos e desconhecidos, mas ele sempre deu um jeito de mostrar que era suficientemente capaz de se livrar de todos eles, então era constantemente sedado, passava mais tempo drogado que qualquer outro viciado. Mas não naquele dia, hoje era ele quem tinha uma surpresa para mostrar a S.H.I.E.L.D e seria uma que eles jamais esqueceriam.
Quando o carro forte revestido de metal estava na rodovia próxima a capital Mateus abriu os olhos. Os dois comprimidos que deviam apagá-lo por horas tinham sido descartados a muito. Pela fama que tinha os soldados tinham medo de se aproximar dele, então apenas um ficava com ele na caçamba do caminhão, Mateus fora acorrentado ao chão com varias correntes, uma máscaras de cobre cobria seu rosto do nariz até o pescoço, haviam colocado uma camisa de força nele e duas algemas que mantinham seus pés juntos, mas nada disso adiantou quando ele abriu os olhos.
O guarda nem percebeu o que o atingiu, ou como o atingiu, de repente estava soltando os cadeados, as algemas e tudo mais. Em poucos minutos Mateus estava livre. Se levantou sentindo os membros rígidos. Sentia o leve movimento dos pneus contra o asfalto, o soldado ficou sentado no chão, com um olhar perdido, então levou a mão ao coldre da arma e Mateus olhou para ele. O soldado tirou a mão do cabo do revólver e tirou a arma de choque do seu cinto, o garoto sorriu enquanto o soldado enfiava as duas pequenas pontas de metal na boca e disparava o choque de 3000 volts. O corpo caiu mole para trás, atingindo a parede que dava para a cabine do motorista. Mateus abriu os braços e fez um movimento brusco.
O motorista e seu companheiro não entenderam o que estava acontecendo com o veículo quando de repente perderam o controle, parecia que o caminhão passara a ter vida própria, então as rodas torceram todas para a esquerda e o caminhão capotou, girando algumas vezes antes de parar, aquela hora da manhã a rodovia estava vazia.
Mateus saiu da caçamba sem um arranhão, parecia um fantasma vestido com o uniforme branco de paciente, o cabelo escuro não era cortado a muito tempo e caia por seus ombros de forma desgrenhada, era de uma palidez assustadora, de quem não via a luz do sol a muito tempo, olheiras roxas de baixo dos olhos e a magreza assustavam um pouco, estava descalço, andou alguns passos pelo asfalto, podia ouvir os gemidos de dor dos dois soldados presos na cabine. Se virou para o caminhão, sentia o cheiro da gasolina vazando do tanque, esticou a mão na direção do veículo tombado e esse foi pelos ares.
Mateus sorriu satisfeito e saiu da rodovia, podia ver os prédios de São Paulo ao longe. A S.H.I.E.L.D provavelmente já devia saber o que tinha acontecido, eles sempre sabiam, mas dessa vez quando chegassem seria tarde de mais, nunca o encontrariam. Estava na hora de mostrar seu poder a eles.

Olá jogadores!!
Bem vindos ao primeiro turno!

Essa primeira rodada vai ser mais tranquila para vocês.

1) cada jogador deverá postar um dia de rotina de seu personagem

2) cada jogador deve incluir em seu turno o recebimento de uma carta para uma festa

"Caro convidado,

Você foi selecionado para participar de nossa mais secreta festa, esse convite é individual e não pode ser usado a não ser pelo selecionado com o nome endereçado.
Apresente seu convite na entrada junto com sua identidade.

Endereço: Shopping Fantasma ABC - Santo André
               Av. Keneddy, 84
Esperamos você à 00:00"

Fica a critério de cada jogador escolher se vai a essa festa ou não.
Espero a postagem de vocês!!

Boa sorte!
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Matheus
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Re: Área de jogo

Mensagem por Thainanpzero em Ter Set 13, 2016 12:29 am

História de Dominick Lorhenwood

- Tudo começa em uma manhã desta segunda-feira acordar, tomar banho, tomar café e arrumar o quarto enquanto a senhorita Clare passa horas tomando banho e se arrumando!
- Fala deste jeito, mas não vive sem a minha bela pessoa certo? Disse Clare com um belo sorriso olhando para a cara de Dominick.
- Bem hoje promete ser diferente querida, afinal nós fomos convidados a ir trabalhar no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron em Campinas, segundo minhas pesquisas o melhor laboratório de prótons do mundo, não é show? Disse Dominick rindo.
- Claro que é “show” Dom! Disse Clare rindo alto.
Após um bate-papo matinal o casal de engenheiros parte para Campinas, para começar a sua nova carreira.
Tudo ia normal ao parecer daquela segunda feira, uma recepção calorosa aos dois jovens prodígios do ramo de prótons afinal não era sempre que um casal jovem e bem-sucedido era convidado para trabalhar no LNLS que foi considerado o melhor laboratório do mundo na área.
Mas ao final do expediente uma ligação da portaria surpreende a todos no local:
- Alo, aqui quem fala é Marcos o porteiro só passando para informar que chegou uma caixa para o Dr.Dominick!
- Como assim? Mal chegamos em São Paulo, Dom como já tem coisas em seu nome? Perguntou Clare
- Boa pergunta Clare! Disse Dom rindo.
Ao chegar a portaria e verificar o conteúdo da caixa Dominick se depara com o que parecia ser um convite:
"Caros Dominick Lorhenwood & Clare Delaflary Lorhenwood,
Vocês foram selecionados para participarem de nossa mais secreta festa, esse convite é individual e não pode ser usado a não ser pelo selecionado com o nome endereçado.
Apresente seu convite na entrada junto com sua identidade.

Endereço: Shopping Fantasma ABC - Santo André
              Av. Keneddy, 84
Esperamos vocês à 00:00".

-Nossa que surpresa não? Disse Dom olhando o convite.
- Seu Marcos quem foi que mandou esta caixa? Perguntou Clare ao porteiro.
Mas a resposta foi vazia quando o senhor disse que foi a equipe de correios que ali passou.
- Bem não podemos fazer desfeita Clare assim que chegarmos em casa tomaremos um banho para podermos ir! Disse Dom sorrindo.
A conversa até Vinhedo foi longa pois Clare está confusa sobre a encomenda, porém Dominick estava empolgado, afinal ambos acabaram de chegar da Alemanha de uma convenção onde Dom defendia a tese de que prótons acelerados a velocidade MACK 3 poderiam se fundir e romper a ligação da matéria, mas nada tirava a dúvida de sua bela noiva.
Ao se prepararem Dom ali estava, com seu melhor terno preto azulado e calças pretas estilo risco de giz com seu perfume mais atraente, era um Malbec Noir, e sua noiva Clare com um vestido longo e vermelho o qual ficava justo realçando a cintura com um detalhe esplendido o qual dava um charme único, era um daqueles vestidos o qual a costura deixava a perna meio amostra, fora o detalhe de seu perfume o novo Lady Lily edição flores que lançará dando uma suavidade única contracenando com o Noir de Dom, então o casal parte rumo a festa em seu  W Motors Lykan Hypersport.

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Re: Área de jogo

Mensagem por Anfepa em Qua Set 14, 2016 7:56 pm

Gabriel e
Israel



Blam!

Gabriel olhou para sua mochila, que fizera um barulho imenso ao ser jogada de qualquer jeito sobre a cama. Estava irritado. As últimas duas horas foram um tanto quanto complicadas. Fizera prova de português e, pra piorar, no último período tivera que fazer um exame surpresa de Geografia. E ainda para piorar ainda mais o seu dia, acabara por perder três ônibus por conta de seu irmão, Israel.

Se jogara na cama, fechando seus olhos, esperando encontrar na escuridão a paz que tanto precisava. Silêncio. Solidão. Um momento consigo mesmo. Um momento...

Toc.Toc.Toc.

Três batidas leves em sua porta o fez abrir seus olhos, irritado. O que diabos o destino queria dele agora?

-Gabriel? - uma voz feminina o chamava, do outro lado da porta. Soave aparentemente feliz com alguma coisa, fazendo o garoto se irritar mais por isso, sem motivo aparente.

- O que foi, mãe?- respondeu, ríspido.

- Não precisa falar assim com sua mãe, garoto, tenha modos! - ralhou sua mãe, ainda sem abrir a porta,
fazendo o menino bufar e revirar os olhos. - A próxima vez te dou uma bufa no meio da cara, pirralho!-
terminava, abrindo a porta e avançando na direção de Gabriel, que se encolhera. Definitivamente, sentia que ia apanhar.

"Fodeu..."

"Cala a boca, Israel! Não venha me encher o saco de novo hoje..."- "respondera" ao seu irmão, vendo a mãe lhe
estender uma carta de aspecto pesado, feito de um envelope grosso, parecendo um tipo de papel cartão bem caro.

- Toma aqui, ô mal educado! Chegou hoje de manhã pelo correio!

- Foi a senhora que me educou, caso não saiba...- retrucou de um sussurro, pegando a carta e sentindo a orelha arder um segundo depois. Recebera um tapa bem forte de sua mãe na altura da orelha, que agora latejava.

Essa era dona Mercedes, sua mãe. Não gostava de falar, já partia direto para a ação e rapidamente ia embora. Em seu íntimo sabia que ela fazia isso para lhe ensinar, mas ainda assim não deixava de doer todo o seu amor. Em especial quando ela o acertava na cara.

"Bem feito... Você sabe que ela tem um ouvido super afiado..."

"Aff, cala a boca!"

Irritado, abrira de qualquer forma o envelope, quase rasgando o seu conteúdo. Com violência, pegara a carta e iniciara a sua leitura. Dera um leve sorriso,esquecendo o motivo de sua birra.



Desconhecido escreveu:"Caro convidado,

Você foi selecionado para participar de nossa mais secreta festa, esse convite é individual e não pode ser usado a não ser pelo selecionado com o nome endereçado.
Apresente seu convite na entrada junto com sua identidade.

Endereço: Shopping Fantasma ABC - Santo André
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Esperamos você à 00:00"


"Porra! Finalmente alguém lembrou de nós dois p'ra alguma coisa..."- exclamou Israel, excitado. De fato, aquilo era algo raro na vida dos dois irmãos.

"Desencana, mamãe não vai deixar a gente ir. E que droga é essa de Shopping Fantasma? Nunca ouvi falar de nada assim... Parece o negócio do fim da terceira série. Certeza que é alguém querendo nos pregar uma peça..."

"Ah, velho, para com isso! Que se foda, vai me dizer que não está interessado? Podemos ir depois da novela da mãe, ela vai dormir, tem sono pesado. Só chamar um táxi, poxa..."

"Com que grana vamos pagar a porra do táxi? Esqueceu que a gente ainda não trabalho, ô nó cego?"

"Aff, cara, é só pegar daquela carteira que você nunca usa. Eu sei que tem bastante grana lá!"

"Cê tá louco, é? Aquilo é pra eu poder comprar..."

"Tá tá tá tá... O Videogame, eu sei eu sei... Mas, poxa... O que vai custar a gente aparecer para uma festa, cara? Depois de hoje ainda, daquela prova maldita... Vamos, cara, faz isso por mim..." - praticamente implorou para o seu irmão. Se ele de fato tivesse um corpo físico, ele estaria praticamente de joelhos para convencer seu irmão. Bem sabia ele o quanto Gabriel precisava de um descanso, mesmo que ele nem sequer notasse isso.

"Tá bom, cara, mas se der zebra você que vai levar a culpa. Quero nem saber..." - fora a resposta de Gabriel, fazendo Israel sorrir, sem seu irmão perceber. Intimamente, só sabia que aquela noite prometia. E muito.

O passar das horas se arrastaram, enquanto decidiam a forma como iriam, em uma discussão interna alegre e tranquila. Israel tomara controle do corpo para agendar o Uber (que ficava bem mais em conta que o bendito táxi que haviam imaginado a princípio. Deixaram agendado às 10 horas, com a volta para às 4 da manhã, antes de sua mãe levantar para o trabalho de diarista que ela sempre fazia para Dona Rosa.

De noite, durante a novela, se despediram de sua mãe, fingindo cansaço devido as provas do dia anterior. Trancaram a porta e rapidamente se trocaram. Vestiram uma calça jeans, uma camiseta branca com uma camisa social azul clara por cima. Usaram o único tênis que tinham, e, com cuidado, se lançaram pela janela, chegando rapidamente a rua, onde o Uber já aguardava à dois quarteirões de distância.

Mal abriram a porta, o motorista já virou para os dois, com um sorriso zombeteiro, mas o tom de voz não soava nem um pouco zombeteiro.

- Não quero confusão, garotos... Não estão fazendo nada de errado né? Não quero ficar com a consciência pesada depois...

- Relaxa, cara, é só uma festa. E a nossa mãe sabe, só tivemos que vir mais afastado de casa para o nosso irmão mais novo não querer vir junto. - respondera Israel, tomando posse do corpo para si, respondendo, sem querer, da mesma forma que falava com seu irmão.

Se o motorista havia percebido ou estranhado, não fez questão de indagar nada. Ligou o carro e começou a seguir em direção o endereço que aquele garoto loiro havia lhe passado, enquanto, internamente, rezava para que não sobrasse para ele as cagadas que aquele pivete fizesse...
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Re: Área de jogo

Mensagem por Haide em Qui Set 22, 2016 12:34 am

Haidé Althoff

Até aquele momento sua semana não tinha sido nada boa e ao que parece só ia piorar, eram sete horas da manhã de uma quinta feira e Haidé sentia todos os músculos doloridos por fazer tantas poses, depois de dormir apenas três horas, ser praticamente arrastada por Filipe até a sessão de fotos e aguentar a cara de reprovação da maquiadora ao esconder suas olheiras, já sentia o mau humor instalando.
– Vamos lá querida, dê mais um belo sorriso pra mim
O fotografo pediu, como se falasse com uma criança e Haidé deu um sorriso obediente, se imaginando indo até ele e quebrando a câmera em sua cabeça. O vestido que usava, da coleção de inverno da Vogue, era quente de mais e pinicava, além de ser completamente limitador em seus movimentos.
Com vinte e três anos Haidé Althoff era o que podia se chamar de rosto bonito. De pele bem clara e traços finos, seus cabelos ruivos caíam em camadas perfeitamente onduladas emoldurando seu rosto e lhe dando um ar inocente, o corpo magro e firme era um símbolo de inveja. No entanto, não era apenas a beleza que a tornava famosa, era filha de Ricardo Althoff, um dos magnatas de São Paulo, dono de incontáveis empresas e negócios, tinha Haidé como sua única herdeira dos milhões que acumulara durante a vida.
– Certo meu bem, vamos fazer uma pausa.
O fotografo disse desligando a câmera e Haidé desceu do tablado feliz por poder se livrar dos sapatos apertados, uma assistente ocorreu até ela para ajuda-la, mas Haidé tirou os sapatos antes que ela chega-se perto e os entregou sem cerimonia nenhuma ou agradecimento.
– Livre-se disso.
Filipe estava no fundo do galpão, atrás da mesa do buffet, fazia uma boa peça com seu terno preto bem cortado, camisa branca bem alinhada e os cabelos loiros devidamente bagunçados com gel, era dois anos mais velhos que ela, seu pai o havia contratado quando completou dezoito anos e sua carreira de modelo começou a ficar agitada, na época ele tinha só vinte anos e Haidé não gostou de ter uma babá, mas depois de seis anos juntos a relação dos dois tinha se transformado numa boa amizade, Filipe fazia as vezes de segurança, outras de agente, mas no geral era o melhor faz-tudo que alguém poderia ter, além de ser muito gato.
– Podia falar com o Eduardo e te colocar como modelo.
Haidé disse se aproximando, Filipe tinha um pequeno prato de papelão numa mão e com a outra caçava uma pequena tortinha de morango com creme e deu uma risada com o comentário.
– E ser obrigado a fazer poses ridículas como você faz?
Ela riu e se serviu de um pouco de chá.
– Juro que se ouvir mais um querida dele vai precisar de uma câmera nova.
Os dois ficaram olhando enquanto outra modelo subia no tablado e começava a fazer as poses conforme o fotografo mandava, as vezes Haidé olhava tudo aquilo e achava uma grande bobagem, mas então se lembrava de suas fotos espalhadas pela cidade e em revistas de moda e voltava a gostar de fazer parte disso, era sua vida no final das contas. Deu um bocejo sem se importar se estava sendo mau educada e tomou um gole do seu chá.
– A noite não foi boa?
Filipe perguntou com a boca cheia de torta de morango, Haidé deu de ombros e deixou isso sem resposta. Modelo não era seu único emprego , a dois anos a empresa Althoff havia começado um novo investimento, pegar espaços velhos e abandonados da cidade de São Paulo e transformar em grandes casas de baladas modernas e para a elite paulistana, quando o projeto foi lançado a primeira Althoff House inaugurada ficava no final da Paulista, próximo ao conjunto das nações unidas e foi um sucesso, então Ricardo Althoff teve a idéia de colocar sua filha como administradora chefe da casa, na época com vinte e um anos, Haidé tinha acabado de se formar em relações publicas e sua carreira de modelo seguia um plano perfeito, era a pessoa perfeita para a função, então passou a cuidar do investimento.
Desde que passara a cuidar do lugar os lucros só tinham aumentado, a Althoff House dava as melhores festas, saía nas melhores revistas e tinha como rosto uma das mulheres jovens mais lindas de São Paulo. Haidé podia se orgulhar.
– Advogados não sabem se divertir.
Reclamou lembrando da noite passada, um bando de advogados havia alugado a balada por uma noite, a fim de fazer uma comemoração pelo aniversário da empresa, com o tema Cassino, Haidé esperava uma festa e tanto, mas no fim achou mais divertido ficar em sua sala relendo o caderno de contas.
Filipe riu e comeu outra tortinha.
– Acho que todo esse seu aborrecimento com advogados está relacionado ao fato de que sua mãe é casada com um.
De repente Haidé fechou a cara, ele sabia como estragar o dia com comentários assim, sem nem ficar com cara de culpado. Quando tinha dez anos sua mãe, Elena, tinha deixado seu pai pra se casar com um advogado da companhia Althoff, com quem já vinha mantendo um caso a um bom tempo, depois disso Haidé começou a ser jogada de um lado para o outro, seu pai sempre ocupado no emprego e sua mãe ocupada em manter sua nova família, não havia espaço em lugar nenhum para ela, então desde cedo aprendeu a se virar sozinha e passou a odiar a mãe por isso.
– Haidé, minha querida, venha para cá outra vez.
O fotografo a chamou, ela deu uma ultima olhada para Filipe e voltou para o palanque. Passou o resto da manhã fazendo poses e sorrisos. As dez Haidé finalmente foi liberada do ensaio e a primeira coisa que fez foi tirar toda a maquiagem e a roupa pinicante, colocou uma calça jeans justa e uma camiseta preta de botões dourados um pouco larga, soltou os cabelos e deu uma olhada no espelho do camarim, vestiu sua jaqueta de couro branca e seus sapatos de salto agulha.
Filipe estava a sua espera, ela saiu sem de despedir de ninguém, não fazia questão, assim que saiu para a luz da manhã de São Paulo colocou seus óculos escuros e deu um sorriso satisfeito, se sentia uma deusa entre os mortais, seu dinheiro, sua beleza e sua fama abriam todas as portas e ela sempre soube muito bem como usar isso ao seu favor.
– Quais os recados pra mim?
Perguntou enquanto subiam pela calçada, o galpão de fotografia ficava na rua atrás da Oscar Freire, uma das mais caras de São Paulo, Filipe tirou seu Iphone do bolso e começou a consulta-lo andando ao lado dela.
– Sua mãe ligou e eu disse que você ainda estava de viagem, temos uma reunião as quatro com o grupo de desenvolvimento de festas, mandei comprar um presente pro seu meio irmão, o aniversário dele é domingo e temos uma festa grande da parceria Kelvin Clain no Althoff hoje.
Os dois chegaram ao final da Oscar Freire, o dia estava meio frio, uma brisa leve bagunçava alguns fios do cabelo, aquela hora da manhã o lugar estava um pouco movimentado, mas não o suficiente para ter que se esconder, foi andando tranquilamente observando as vitrines.
– Certo, um jogo caro de vídeo game deve bastar, junto com um cartão de felicidades, ligue para a Agata e mande ela passar naquele restaurante vegetariano da Augusta, quero um arroz integral com vagem cozida, uma abobrinha recheada com tofu e soja, peça pra ela passar na Pati Piva e me trazer aqueles biscoitos de gengibres com açúcar, quero tudo no meu escritório quando chegar.
Haidé parou na frente de uma vitrine da Victor Hugo e viu uma jaqueta de couro preta com detalhes prateados, olhou para Filipe.
– E mande entregar uma dessa em casa, tamanho P.
Filipe anotava tudo com rapidez, Haidé sabia como ser mandona, gostava de tudo pronto na hora em que tinha ordenado e nem um minuto a mais, tudo tinha que ser feito do seu jeito e coitado de quem não fizesse assim, todos os que trabalhavam na Althoff House sabiam disso, Haidé era o sol e todos orbitavam a sua volta. Ela voltou a subir a Oscar Freire, algumas pessoas que passavam viravam a cabeça para olhá-lo outra vez e Filipe achava isso engraçado, ela sabia disso, mas agia como se ninguém estivesse olhando para ela, continuou dando ordens enquanto andava.
– Peça a Agata para passar na Gucci e pegar um vestido que combine com o Tema Las Vegas de hoje a noite, então ligue na Haifi e marque o cabelereiro para as seis e depois peça para a Micheli estar no meu escritório as oito para a maquiagem.
Os dois chegaram ao estacionamento onde mais cedo tinham deixado o carro, Filipe entregou o cartão ao manobrista e eles aguardaram.
– Mais alguma coisa? Porque eu acho que a lista de ordens não chegou a um metro ainda.
Ele comentou com bom humor, Haidé não disse nada, apenas revirou os olhos, o manobrista estacionou a Ferrari preta e saiu olhando um pouco admirado para Filipe, então tentou disfarçar que não deu uma olhada para Haidé e se afastou, ela riu entrando no banco do carona e olhou para o amigo que já colocava o cinto de segurança.
– Acho que o manobrista ficou com um pouco de inveja, um belo carro e uma bela garota.
– Se ele conhecesse a garota ia ficar feliz só com o carro.
Filipe saiu do estacionamento e entrou no transito rumo ao centro de São Paulo. Quando Ricardo Althoff decidiu construir uma casa de festas em São Paulo acertou em cheio em comprar um terreno na Paulista, um dos lugares mais movimentados e ecléticos da cidade, a Althoff House chamava a atenção por ser moderna, um prédio novo, aço negro por fora e luzes escurecidas por dentro.
A Althoff House era grande, um espaço amplo, dividido em quatro ambientes para os mais variados gostos musicais, cada ala separada por paredes a prova de som e fogo, que se erguiam até cinco metros de altura e eram tapadas por vidros grossos temperados, quem estava em cima podia ver quem estava em baixo, mas não o contrário. A parte de cima era ladeada por um mezanino que contornava todo o vidro, essa era a área vip, com um DJ e um bar próprio, na parte de baixo havia uma área do bar, separadas dos quatro ambientes e com uma escada lateral para a área vip, do lado oposto ao do bar, na parte superior, ficava o aquário, uma confortável sala com sofás, um mini-bar, as três paredes que davam para o salão eram de vidro temperado, assim como o chão, de dentro dela era possível ver tudo o que acontecia, mas de fora era apenas o vidro espelhado.
Haviam também os andares subterrâneos, mas esses eram apenas para a parte administrativa, dispensa, cozinha e estacionamento de funcionários.
Quando os dois chegaram, um pouco depois do meio dia, o lugar estava fechados, apenas o funcionários da limpeza estava por lá, Filipe estacionou na vaga dele e os dois subiram passando pela administração, onde Agata, secretária de Haidé na Althoff House trabalhava, era uma jovem de vinte anos, cabelos compridos sem um corte definido, usava sempre um terninho e uma calça social, se fosse por aparência Haidé nunca a teria contratado, mas se não fosse por Agata estaria completamente afundada em assuntos administrativos, ela era boa no que fazia. Quando viu sua chefe no corredor, saiu de sua sala e veio apressada para acompanha-la até o aquário.
– Seu almoço já está na sua mesa, junto com os biscoitos, seu vestido está pendurado na minha sala junto com os sapatos, os administradores vão chegar as quatro, deixei as propostas numa pasta em cima da sua mesa.
As duas entraram no aquário seguidos por Filipe, uma bandeja  de metal bem arrumada com um prato preparado, uma garrafa de água com gás e uma caixa de biscoitos, Haidé sorriu satisfeita, pegou a pasta com as propostas e deu uma olhada, Filipe se largou no sofá de couro preto e ligou a tevê, Agata ficou parada ao lado da porta esperando por alguma ordem, Haidé reparou no envelope vermelho com o seu nome.
– O que é isso?
– Estava com a correspondência da manhã.
Ela deu  as costas e se sentou em sua mesa, começando a comer seu almoço tranquilamente. Ágata olhou para Filipe sem jeito.
– Ah, eu…passei no Mac Donald’s e comprei seu lanche, está no frigobar.
E saiu sem graça, Haidé ficou olhando até ela fechar a porta e deu uma risada maliciosa para o amigo.
- Ela gosta de você.
Filipe fez uma careta e se levantou do sofá tirando o terno.
– Só no dia em que eu estiver louco.
Foi até a área do bar, contornou o balcão e abriu a pequena geladeira pegando seu pacote de lanche, sentou num dos bancos altos apoiando os cotovelos no balcão, na tevê passava o noticiário do almoço, os dois comeram por um tempo em silencio, Haidé lia as propostas enquanto almoçava.
– Acho que vou ficar com o tema de Veneza para o carnaval.
Disse quando já tinha acabado de comer.
– Achei que seriam roupas minúsculas e plumas.
Filipe pareceu chateado, pegou uma cerveja no frigobar, Haidé revirou os olhos.
– Isso não é uma casa de striper.
Ela reparou no envelope vermelho outra vez, o pegou e o abriu, leu curiosa.
- Já ouviu falar de uma festa chamada Danger Zone?
Perguntou a Filipe, ele tomou um gole de cerveja antes de responder.
– Não. Deveria?
Haidé não respondeu, ergueu a tampa do seu notebook que ficava no canto da mesa e digitou o endereço para a pesquisa, o lugar era um shopping sombrio.
– Recebi um convite para uma tal Zona de Perigo e vai ser nesse lugar.
Virou a tela do computador para o amigo poder ver, Filipe deu uma olhada nas imagens.
– Realmente parece uma zona de perigo, quando é?
– Amanhã a noite.
Ela respondeu fechando a tampa do computador novamente.
– Devo escolher minha melhor roupa?
Haidé sorriu para a pergunta do amigo.
– É um convite individual, sinto muito, alguém vai ficar no carro dessa vez.
Filipe abriu a boca para responder, mas a porta se abriu e Agata entrou timidamente.
– Ah…os administradores chegaram.
Haidé se levantou.
– Ótimo, leve a bandeja para a cozinha e mande eles subirem.
Ela pegou o paletó de Filipe do sofá e jogou para ele, Agata pegou a bandeja e saiu.
O resto da tarde passou com uma grande chatice, reuniões com administradores sempre eram assim, eles nunca tinham boas idéias sobre os temas, mas insistiam em tentar convence-la, até que ela se irritava e acabava por escolher a sua própria, naquela reunião não foi diferente. Quando acabou já estava atrasada para o cabelereiro, seu mau humor voltou a se fazer presente.
Depois de arrumar o cabelo e voltar para Althoff teve pouco tempo para se maquiar e se vestir antes que os convidados começassem a aparecer. Recebeu os mais importantes pessoalmente, os empresários, investidores e alguns colegas modelos, quando a festa começou de vez ficou na área vip com Filpe e alguns outros.
A noite foi terminar apenas as quatro da manhã, Haidé que já havia dormido pouco desde a ultima noite, mal conseguia parar em pé, ela e Filipe foram para o apartamento. Uma cobertura  num condomínio de Higienópolis comprada por Ricardo Althoff de presente para a filha, o lugar era avaliado em quase dez milhões, com quatro suítes, uma sala grande de visitas com sacada, uma sala de tevê, sala de jantar, cozinha equipada industrial e escritório, não havia porta de entrada, apenas a do elevador que se abria para o hall antes da sala de visitas. Era aqui que Haidé morava e que Filipe passava quase todos os dias da semana, ele tinha um pequeno apartamento nos Jardins, mas só ia para lá em ultimo caso.
Os dois subiram para a cobertura, o céu já começava a clarear por trás das cortinas de linho da sala, Anita, sempre com seu uniforme bem arrumado e bem disposta veio recebe-los.
- Bom dia senhora.
– Bom dia Anita.
Flilpe se despediu com um bocejo e foi para o quarto de visitas, Haidé foi para o seu próprio, tomou um banho e tratou de dormir por algumas horas. Seu celular despertou as oito da manhã e com muito esforço abriu os olhos, o quarto ainda estava confortavelmente escuro por causa das grossas cortinas, demorou um instante ainda deitada olhando para as cortinas, então se levantou e foi até banheiro, lavou bem o rosto, vestiu seu roupão de seda e quando voltou para o quarto encontrou Anita.
– Bom dia senhora, o café está servido.
– E Filipe?
Perguntou enquanto ajeitava o cabelo com os dedos.
– Creio que o senhor Medeiros ainda esteja dormindo.
Haidé saiu do quarto dando ordens que ele fosse acordado e foi para a sala de jantar. Assim que entrou sentiu o cheiro da torrada quente e dos ovos, deu um sorriso, Samuel, seu cozinheiro fora um dos melhores achados de Filipe na sua vida, ele era capaz de criar os melhores pratos, sabia do gosto dela pela comida vegetariana e com isso inovava sempre.
A mesa estava posta do jeito que ela gostava, pão integral, um bule de chá, ovos e torradas feitas na hora. Havia uma travessa com uma salada de frutas, a favorita de Filipe, além de suas rosquinhas com chocolate e café a vontade. Mal havia sentado e começado a se servir e seu bom amigo apareceu, vestido com a elegância de sempre e com um mal humor quase palpável. Ela deu um sorrisinho quando ele se sentou na cadeira a sua frente e se serviu de café em silêncio.
– Esse mau humor todo é por que não foi convidado para a festa?
Provocou colocando uma colherada dos ovos mexidos na boca.
– Não, é porque tive que te trazer pra casa e não consegui levar aquela modelo francesa pra minha casa.
Depois dessa resposta ela achou melhor não insistir, o mau humor dele iria embora alguma hora.
O dia foi tedioso, mais reuniões com alguns empreendedores e patrocinadores, foi almoçar com o pai, ele era um homem reservado e do tipo antigo, almoçava sempre no mesmo restaurante, pedia sempre o mesmo prato, não sorria, não agia agradavelmente com ninguém além do que a educação pedia, mas sabia dar ordens muito bem. Haidé sabia que havia puxado muito do pai, embora a beleza viesse toda da mãe. O almoço com ele foi silencioso como sempre, falaram apenas dos assuntos da empresa. A tarde sua mãe apareceu de surpresa na Althoff House e Haidé foi obrigada a recebe-la e a fingir que estava feliz com isso, Agata preparou um chá e por duas horas a fio ficou de conversa. Elena era mais calorosa, só não sabia como dispor disso, se preocupava com o que achava ser de sua atenção, o que não necessariamente incluía sua filha mais velha, exceto nas visitas que fazia as vezes a fim de mostrar que ainda era uma boa mãe.
– Sabe…eu estava pensando, acho que já está na hora de você começar a pensar no seu futuro Haidé.
– Como assim Elena? Creio que meu futuro já está muito bem pensado não?
As duas estava sozinhas no aquário, Filipe nunca fazia questão de estar presentes nessas visitas.
 – Você tem uma boa carreira e uma boa formação, mas a vida de uma mulher não é só isso.
Haidé percebeu onde ela queria chegar com isso e olhou para a mãe com uma certa frieza.
– Eu estou bem assim, se vai começar a falar sobre marido sugiro que pare agora.
– Filha, não é bom passar a vida como você está passando, é bom ter um marido ao seu lado.
– E um amante a tira colo eu suponho.
Comentou maldosamente e ficou satisfeita ao ver o efeito que havia surtido em sua mãe, ela encolheu os ombros um pouco sem jeito e pediu desculpas pela intromissão, depois disso a visita não durou nem mais dez minutos. Entre passar um tempo com ela ou Ricardo, Haidé preferia a frieza do pai.
O resto da tarde passou mais tranquilamente, observou os preparativos para a balada daquela noite e ficou na Althoff até as dez, então voltou para a cobertura com Filipe a fim de se arrumar e sair. Quando chegou em casa foi recebida por Anita, Filipe foi para a sala de tevê e Haidé foi se trocar em seu quarto. Enquanto escolhia o vestido lembrava da conversa com a mãe, aquela insistência de que não devia ficar sozinha a irritava, se estava sozinha era porque queria e não por falta de opção. Pegou um vestido preto no closet, ele era curto, um pouco a cima do joelho, mas de mangas compridas, o tecido colava deixando a peça justa em seu corpo que não parecia ter alguma gordurinha a mais para esconder, prendeu parte dos cabelos para trás deixando alguns cachos soltos na frente, colocou uma meia calça da cor da pele apenas para destacar um pouco e um sapato preto de salto alto, por cima do vestido vestiu um colete vinho, um charme a mais para o conjunto, fez sua maquiagem deixando-a mais simples, a roupa e o cabelo já cuidaria da elegância.
Voltou para a sala e encontrou Filipe entretido num jogo de tiros no video game, revirou os olhos, garotos eram sempre garotos, mesmo que estivessem de terno e fossem muito gatos. Ele seria o motorista da noite. A festa era num local um pouco longe do centro,pelo que tinha entendido seria num shopping abandonado, um local estranho para uma balada, mas sendo do ramo sabia que haviam equipes de festas que surpreendiam mesmo que fizessem do esgoto seu centro de atrações.
Filipe parou na frente da entrada da festa, Haidé deu uma espiada e viu dois seguranças, nada mais, isso só aumentou sua curiosidade.
– Muito bem, eu ficarei no carro, quando quiserem ir basta ligar.
Ela olhou para ele.
- Não precisa ficar aqui, vá dar uma volta, encontre um bar.
Filipe se inclinou sobre ela e abriu sua porta, o vento frio da noite entrou dentro do veiculo.
- Divirta-se chefe.
Disse voltando a se encostar no banco e ligou o rádio, uma música alta começou a sair dos altos falantes.
Agora fora do meu carro.
Haidé deu uma risada e despenteou o cabelo dele antes de descer, ouviu uma reclamação vinda do amigo, mas fechou a porta antes que ele pudesse continuar. Seguiu para a entrada e caçou o convite de dentro da pequena bolsa que havia trazido consigo.
- Haidé Althoff.
Disse com um sorriso amigável para o segurança, ele não respondeu nada, apenas deu passagem para que ela entrasse. Haidé seguiu por um corredor escuro e começou a ouvir a musica que vinha do ambiente, uma batida meio eletrônica dominava o lugar, chegou até um salão com luzes escuras, o lugar era velho ou fora preparado para dar essa impressão, tinha um ar meio sombrio e ela gostou disso, talvez usasse numa próxima festa em sua balada.
Deu uma volta pelo lugar, saiu do salão, onde haviam algumas pessoas e viu as escadas que davam para a área mais ampla, um enorme palco havia sido montado e a maior concentração de pessoas estava lá, seja quem for o organizador daquela festa, Haidé daria um jeito de conhecer. Olhou as pessoas dançando na pista de dança, mas não estava com vontade dançar ainda, achou a área do bar, alí estava algo para se começar bem a noite, foi até o balcão montado e deu seu melhor e mais sedutor sorriso para o barman.
- Uma vodka com tônica seria uma boa pedida não?
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Re: Área de jogo

Mensagem por Matheus em Qui Set 22, 2016 12:53 am

São Paulo, 25 de janeiro
07:00 horas da manhã

Tudo o que Valentina queria era dormir, depois de passar a madrugada toda arrumando as instalações para o paciente zero no laboratório da S.H.I.E.L.D na base de São Paulo, fazia um mês que vinha montando junto com sua equipe as modificações necessárias para o tal paciente. Depois do incidente onde o chefe de pesquisas do Rio de Janeiro foi morto por ele e a descoberta de que parte da pesquisa junto com o material genético do paciente fora roubado por um agente da Hidra infiltrado na S.H.I.E.L.D, o conselho achou melhor transferí-lo. Valentina Aveck tinha vinte e um anos, chefe de pesquisa da central de São Paulo, era sua responsabilidade levar a diante a pesquisa e manter o paciente.
Mas isso parecia um trabalho muito maior do que queria para sí.
Seu irmão, Santiago era chefe de estratégias e armamento e trabalha juntamente com ela no caso, horas de estratégias e planejamentos, pouco tempo de sono e muito tempo de café e relatórios para o conselho. Os dois sabiam que essa era a oportunidade de suas vidas na organização, já eram conhecidos como os gêmeos prodígios, por serem tão jovens com cargos tão altos, essa seria para imortaliza-los.
Nada poderia dar errado. Até que seu irmão entrou no seu quarto sem cerimonia nenhuma, acendeu a luz e a acordou.

– Valentina você não vai gostar disso.

Ela se virou para o outro lado na cama e puxou o cobertor até o queixo, sem abrir os olhos.

– Que namorada te chutou dessa vez?

Santiago jogou o aparelho de celular na cama, ele bateu no travesseiro ao lado da cabeça dela.

– É o chefe.

Valentina se virou abrindo os olhos e se sentou na cama, pegou o aparelho e percebeu que o irmão estava vestido com as roupas para sair e não com seu pijama, o que seria bem normal para ele as sete horas da manhã. Atendeu o telefonema.

– Chefe?

- É melhor estar vestida para sair, temos um grande problema nas mãos.

São Paulo. 10:00 horas da manhã
Rodovia Nova Dutra Rio de janeiro – São Paulo

Valentina e Santiago olhavam para o veiculo tombado, uma maça de ferro retorcido e queimado, a via sentido São Paulo estava completamente fechada, o carro do IML estava parado ali enquanto os peritos tiravam os corpo carbonizados das ferragens.

– Vocês disseram que esse veiculo vinha sentido São Paulo por que mesmo?

O policial chefe perguntou a Valentina enquanto seu irmão tirava fotos e fazia algumas anotações mais próximo ao veiculo.

– Ele é um caminhão de transporte de matérias da empresa de enlatados, fazemos o transporte Rio São Paulo, eles vinham buscar uma encomenda para o litoral.

Santiago terminou as fotos e olhou para a irmã fazendo um sinal um pouco aliviado, com a explosão o veiculo fora todo retorcido, seria impossível ver do que se tratava realmente. Depois de mais algumas perguntas os corpos foram retirados para o IML e o veiculo transferido para análise. Os gêmeos precisavam voltar para a central da S.H.I.E.L.D, o problema estava só começando.

São Paulo. 11:00 horas da manhã
Central da S.H.I.E.L.D antigo Espaço das Américas.

Valentina passava por uma tenebrosa reunião com os sombrios representantes do conselho, eles eram quatro, que nunca mostravam seus rostos, apenas suas silhuetas eram visíveis pelas telas de transmissão. Quando foi promovida a chefe de pesquisas de São Paulo percebeu o quanto tinha medo dos conselheiros , toda vez que vinha a sala que secretamente apelidara de tenebrosa sentia o pânico apertar sua garganta e seu estomago gelava a graus negativos, mas ainda mantinha sua pose de frieza, tinha que mostrar que era durona, se não era capaz de manter a calma na frente de quatro telas de transmissão que não podiam lhe fazer nada diretamente, como esperava ser respeitada por sua equipe de pessoas bem mais velhas que ela?

– E então senhorita Aveck o que pretende fazer sobre o caso?

“Mantenha a calma” pensou olhando de cabeça erguida para as telas.

– Nossa empresa fictícia lançou uma nota de acidente, lamentando o caso e informando que todos os passageiros do veiculo morreram no local.

– Isso não muda o fato de que temos uma pessoa de alta periculosidade solta por São Paulo.

“Como se isso fosse culpa minha” pensou com uma certa raiva, sabia que um motorista, um carona e um guarda não era capazes de manter aquele paciente.

– O agente Aveck já conseguiu o acesso a todas as câmeras de segurança de São Paulo, o rastreamento está programado com o rosto do paciente zero, assim que ele surgir nas câmeras vamos acha-lo e captura-lo sem alarde, não queremos chamar a atenção.

Respondeu friamente, sentindo o coração martelar com força contra o peito.

– Estamos preocupados o quanto isso pode chamar a atenção, já tivemos agentes infiltrados entre nós antes e temos medo de que não sejamos só nós a tentar capturar o paciente zero.

– Acreditamos que vocês precisam de uma certa ajuda.

Valentina não gostou do jeito que os conselheiro colocaram a situação e teve que manter toda a calma possível para manter as feições frias, tudo o que não precisava agora era de um agente estranho escolhido pelo conselho para ficar no pé dela.

– Creio que não será necessário, estamos bem equipados para…

– Nós achamos que é necessário um agente com uma experiência melhor em campo, você e seu irmão tem feito um ótimo trabalho, mas ainda não tem muita experiência com situações assim.

– Já ouviu falar no Agente Invisível?

“Não, ele não!” pensou irritada, quem não conhecia Jordan Pierre, o Agente Invisível?

– É claro que conheço, o agente invisível é conhecido por ser um dos melhores agentes em campo, é referência para todos em treinamento.

Respondeu num tom neutro.

– Nós o designamos para ajuda-los no caso, é muito importante que isso seja mantido em segredo, apenas ele e seu irmão podem saber disso, o resto da equipe deve achar que houve apenas um adiamento na transferência do paciente, entendido?

Valentina sabia que era impossível discutir com eles, uma ordem do conselho era incontestável.

– Entendido.

Santiago olhava todos os painéis, cada um mostrando uma parte de São Paulo, o rastreador não parecia achar nada, ele suspirou cansado e se inclinou em sua cadeira para trás e colocou os pés na mesa, sua irmã entrou na sala monitoramento, parecia agitada, como sempre fazia depois de uma reunião com o conselho, virou a cabeça para trás e deu um sorriso solidário para ela. Valentina sentou-se numa das cadeiras estofadas.

– Algum progresso?

– Não.

Ele esticou a mão e pegou uma pasta de papel pardo da mesa ao seu lado e abriu.

– Mateus Andrade, atualmente com dezenove anos, morou em três lares adotivos, todos mortos, antes disso morou com o pai e a família dele, todos mortos num incêndio. Diagnosticado com doença mental, com dez anos foi encontrado pela S.H.I.E.L.D, descobriu-se que tinha certas…anomalias que foram fontes de estudo…

– Blábláblá…tudo isso é besteira, nós dois sabemos disso, mas o conselho não confia que somos capazes de cuidar do caso.

Santiago olhou para ela com uma sobrancelha erguida esperando uma explicação. Valentina revirou os olhos e olhou para o painel das câmeras de segurança.

– Jordan Pierre vai entrar no caso conosco.

Seu irmão se sentou na cadeira e olhou surpreso para irmã.

– O que? Por que ele?

– Acham que precisamos de alguém mais experiência.

Os dois ficaram se olhando em silêncio, já conheciam Jordan Pierre de algum tempo. Valentina e Santiago nunca conheceram seus pais verdadeiros, eles morreram num acidente de carro quando os dois ainda eram bebês, cresceram até os doze anos num orfanato em Curitiba, quando foram adotados por um casal, os Wakira, eles trabalhavam para a S.H.I.E.L.D e faziam parte do projeto de formação para novos agentes, os gêmeos foram colocados no projeto e treinados desde os doze anos, algum tempo depois descobriram o sobrenome dos pais verdadeiros e resolveram adotá-lo como um disfarce para não serem ligados aos Wakira. Seu pai adotivo tinha um irmão, Saito Wakira, ele nunca estava presente, especializado em disfarces para roubar informações, sempre tinha alguma missão. Quando os Aveck fizeram quinze anos seus pais adotivos foram mortos numa missão e eles ficaram a cargo da S.H.I.E.L.D, que mandaram um pedido de auxilio para Saito, como ainda eram menores de idade precisavam de algum responsável, mas para a surpresa deles Saito respondeu que não tinha sobrinhos e que não se responsabilizaria por ninguém, não veio para o enterro do irmão e da cunhada e nunca se importou em saber como os gêmeos estavam.
Agora teriam que trabalhar com ele.
Caçar um psicopata solto pela cidade e aturar o Agente Invisível, eles não sabiam o que seria pior.
Eles passaram o resto da tarde na sala de monitoramento, mas o rastreador não achou o paciente zero em lugar nenhum e Valentina começou a sentir a cobrança do conselho em seus ombros. Já era noite quando Jordan chegou e foi levado para a sala de Santiago.

– Devo dizer que quando o conselho me informou da minha missão fiquei surpreso.

Santiago continuou seu monitoramento sem dar atenção para o tio, Valentia estava na sentada de frente para ele do outro lado da mesa enquanto ele lia o relatório sobre Mateus. Ele não parecia em nada com um agente, lembrava mais um empresário de meia idade, começando a ficar com os cabelos grisalhos nas laterais e ternos caros, tinha um porte arrogante que a maioria dos orientais carregava, não olhou uma vez para os sobrinhos.

– Eu não sei porque eles te colocaram no caso, mas já que está aqui…

– Lamento dizer que você não vai me dar ordens.

Ele disse jogando a pasta na mesa e olhou para a sobrinha com superioridade. Valentina manteve a expressão fria.

– Eu estou no comando do caso.

Jordan deu um sorriso irônico e se inclinou um pouco para frente.

– E vejo que fez um bom trabalho sobrinha.

Pela primeira vez Valentina sentiu que ia perder a calma, abriu a boca para responde-lo com agressividade, quando o monitor de Santiago apitou e todos ficaram em silêncio, ele se ajeitou em frente aos monitores e digitou no painel central, as telas se focaram na mesma imagem, um estacionamento escuro, um garoto se afastava de um carro.

– Achamos!

Valentina se aproximou do monitor e olhou para o garoto, dois anos mais novo que ela, era difícil de acreditar que já tinha matado tanta gente, então reparou que havia mais alguém no carro.

– Aproxime a câmera do carro San.

Quando a câmera se aproximou eles viram uma mulher inclinada sobre o volante, os dois a reconheceram.

– Droga…

A ambulância foi chamada por um segurança do prédio antes que eles tivessem chego ao local, o que causou um problema para eles. Nyang Ling fora encontrada em seu carro com uma hemorragia cerebral, ela foi levada para o Hospital Sírio Libanês, o que só criou mais problemas. Ela era a única que havia entrado em contato com Mateus de forma direta, a única que podia ajuda-los.

– Eu odeio esse cara Ina.

Os dois estavam na lanchonete do hospital esperando por Jordan, enquanto ele se esgueirava pelo hospital para conseguir entrar no quarto de Ling. Valentina tomava um café, olhando as pessoas que passavam.

– Ignore e vamos continuar com o caso San.

Ele balançou a cabeça desanimado.

– Esse cara não vai ajudar em nada…

– O cara em questão acabou de conseguir uma pista para achar a cobaia da S.H.I.E.L.D

A voz veio atrás deles, os dois se viraram, Pierre tinha aquele olhar superior, Santiago deu de ombros, Valentina ficou olhando para o tio.

– Então fale de uma vez.

Jordan puxou uma cadeira e se sentou.

– Parece que a Hidra fez mais do que roubar o material e as informações.

Valentina tomou um gole do seu café.

– Nós lemos todos os relatórios.

Respondeu rispidamente, Santiago continuou em silencio. Jordan deu um sorriso de alguém que mantém um segredo.

– Vocês leram o que queriam que vocês lessem, já ouviu falar de Blacknew?

Valentia ficou em silencio, olhando para ele, como uma boa hacker que era conhecia o termo blacknew, uma forma de mercado negro, onde informações eram a mercadoria.

– Blacknew? Do que ele está falando Ina?

Jordan continuou com o sorrisinho.

– Parece que mais pessoas sabiam sobre Mateus Andrade antes mesmo de a S.H.I.E.L.D resolver tomar conta dele, parece que ele é bem mais interessante do que nos relatórios ou melhor…o que ele é carrega é.

Santiago reparou na mulher que limpava a mesa ao lado e fez uma careta olhando para o tio.

– Aqui não.

Os outros dois também olharam para a mesa ao lado.

– Melhor nós irmos, temos um lugar pra ir.

São Paulo, 23:00 horas
Nos arredores do Shopping Fantasma – Santo André.

– Então a Hidra criou uma forma de isolar os poderes dele.

Ele disse colocando o cartucho em sua arma, eles estavam num minifurgão, Jordan colocava mascaras de oxigênio portáteis em mochilas.

– Um gás pra ser mais preciso.

A porta da van se abriu e Valentina apareceu.

– Consegui um jeito de entrar pelos fundos.

Os dois saíram da Van, cada um com uma arma carregada e uma mochila e foram caminhando pela rua escura em direção ao barulho de uma musica alta. Quando descobriram para onde Mateus ia não esperavam que encontrariam mais uma cem pessoas indo para o mesmo lugar.

– Não podemos chamar atenção, por favor.

Eles não foram pela entrada principal da festa na estação, mas contornaram o quarteirão e entraram pelos fundo, atrás do palco que haviam montado, não haviam seguranças por ali e eles não tiveram dificuldade.
Uma vez lá dentro precisavam achar o garoto.

– Vamos nos separar, cada um cobre um lado, vamos andando até a entrada, se não o encontrarmos vamos embora.

Os três se separaram, Valentina foi pelo meio, a arma presa na cintura, escondida de baixo da camiseta, olhava todos os rostos a sua volta, haviam pessoas de mais, dançando, esbarrando nela, estava abafado, sentiu o mesmo aperto na garganta que sentia quando estava na sala tenebrosa, tentou se acalmar, respirou fundo e foi passando pelas pessoas. Foi então que viu o paciente zero, um pouco mais a frente, nos degraus que levavam para o interior da estação, empurrou as pessoas para ir mais rápido, sacou sua arma a deixando abaixada, quando ele ia entrar o alcançou e encostou a arma em suas costas.

– Fique parado.

Ele não se virou, mas ficou parado.

– Você é rápida.

Ela olhou em volta tentando encontrar Jordan ou seu irmão.

– Você está com medo?

Valentina apertou mais o cabo da arma em sua mão, viu seu irmão correndo na direção deles.

– Fique calado, vamos levar você sem chamar a atenção, mas se fizer alguma gracinha eu atiro em você aqui mesmo.

Ela sabia que estava blefando, não podia fazer aquilo, mas tentou manter a calma, sabia do que aquele garoto era capaz.

- Eu vou dizer o que é que eu vou fazer, se você não se afastar de mim nos próximos cinco segundos, eu vou matar cada pessoa dessa festa, incluindo você e os seus dois amiguinhos.

Valentina engatilhou a arma, talvez um tiro no pé dele não chamaria tanta atenção, com aquela música alta, seria fácil carregá-lo dali, Santiago já estava próximo, então foi tudo muito rápido, antes que ela pudesse fazer alguma coisa sentiu o cotovelo dele em seu pescoço e levou uma rasteira. Valentina caiu pra trás na escada e bateu nos degraus, ele ficou um instante parado olhando para ela, então os dois olharam para Santiago já bem próximo com a arma em punho, então ele correu para dentro.

– Mateus pare!

Gritou se levantando, Jordan já estava ao seu lado a ajudando a ficar de pé, Santiago já havia entrado atrás de Mateus, os dois correram atrás dele.

– Se Mateus encontrar o tal gás essas pessoas correm perigo.

Também sacou sua arma e Jordan fez o mesmo, não foi possivel não chamar a atenção, de repente as pessoas já estavam correndo e gritando pra longe deles, Valentina viu Mateus subir no balcão e Santiago atirou, mas a bala foi acerta uma garota afastada deles.

– San não faça isso!

O segundo tiro acertou Mateus e ele caiu atrás do balcão, as pessoas em volta estava assustadas, Valentina baixou a arma e viu o irmão subir no balcão, Jordan estava do seu lado.

– Isso vai ser dificil de explicar…

De repente eles ouviram um chiado e tudo foi pelos ares. Com o impacto da explosão Valentina e Jordan foram jogados para trás. Ela bateu a cabeça com força no chão e ficou desorientada, seu ouvido esquerdo parecia entupido, algo quente a amargo de repente invadiu seus pulmões e ela sufocou, tossindo. Tentou levantar seu irmão estava em cima do balcão quando ele explodiu, precisava achá-lo.
De repente algo foi pressionando contra o seu rosto e a queimação em seu pulmão desapareceu.

– Respire isso.

Ela viu Jordan a cima dela, sua cabeça estava apoiada no braço dele, percebeu que não ia conseguir levantar.

– San…

Viu ele virar a cabeça para trás e fazer uma expressão séria, Valentina começou a sentir seus pulmões queimarem outra vez, mesmo com a mascara de oxigênio em seu rosto, então foi erguida do chão, suas costelas reclamaram, mas conseguiu ficar em pé, viu Santiago caído no chão próximo a eles, saía fumaça de sua roupa e o cabelo estava chamuscado, mas não conseguiu ver o rosto dele, estava deitado de bruços. Jordan o pegou no colo e o colocou em seu ombro, havia fogo por todo lado, pessoas gritando e sufocando. Valentina olhou em volta assustada.

– Não podemos fazer nada, vamos sair daqui.

A volta para o furgão pareceu uma eternidade, Valentina sentia seus pulmões queimarem cada vez mais, Jordan carregava Santiago em seu ombro, ele permanecia desacordado, um pouco antes de chegar ao furgão Valentina caiu no asfalto, não conseguia respirar, podia ouvir os gritos se misturando a barulhos de sirenes de longe, sua cabeça doía , sentiu que ia desmaiar.
Jordan chegou ao furgão e olhou para trás, Valentina estava caída no chão, abriu a porta da van e colocou Santiago para dentro, então voltou e ajudou sua sobrinha a ficar de pé.

– Vamos garota, temos que ir logo.

Ajudou ela chegar ao furgão, ela deitou no chão tentando respirar direito com a máscara de oxigenio, Jordan tirou a sua e fechou a porta, indo para o banco do motorista.

– Como ele conseguiu explodir aquilo?

Jordan deu a partida e acelerou.

– Uma das habilidades especiais dele talvez.

Valentina se virou um pouco e viu o rosto do irmão, enegrecido por causa das queimaduras, arregalou os olhos.

– Ah meu Deus, San…

A van voava pelas ruas desertas em direção ao centro de São Paulo.

– Vamos chegar ao hospital em cinco minutos, aguente firme ai atrás.

Valentia deitou a cabeça contra o chão da van, sentindo o movimento do carro, de repente se sentiu enjoada, fechou os olhos pensando que talvez o conselho tivesse razão.
Ela não entrou na festa, na verdade nem teve tempo de pensar se entraria ou não, parou sua moto próxima a entrada e ficou observando as pessoas entrarem enquanto a musica tocava alto, então de repente a animação mudou para desespero depois que uma explosão abalou o lugar. Não pode deixar de sorrir. No fundo esperava por uma coisa assim desde que vira o noticiario da manhã. A S.H.I.E.L.D teria muito o que explicar.
Pegou o celular do bolso do casaco e apertou o botão de discagem rápida.

– Natasha falando. Yuri prepare o nosso equipamento, vamos nos divertir um pouco.

•••••••••••••••••
São Paulo 10:00 horas da manhã
25 de janeiro

A primeira coisa que Mateus fez quando chegou ao centro de São Paulo foi se livrar daquelas roupas de paciente. Sua vantagem era que não precisava roubar, ele simplesmente entrou numa loja e pediu as roupas, a vendedora sorridente lhe deu tudo o que precisava, tão fácil como roubar um doce de uma criança, não podia chamar atenção e para tal feito precisava se parecer com um jovem normal, com roupas normais e uma aparência normal. Depois de trocar de roupa e se livrar das peças antigas numa lixeira, guardou o resto numa mochila, também pega na loja e tratou de dar seguimento ao seu plano.
Mateus nem sempre tinha morado com o seu pai e com a mulher dele. Houve um tempo, um tempo muito bom, em que ele morou com a mãe, ela fora amante do seu pai por muito tempo e quando ela ficou gravida e ele encarou isso como a merda da sua vida e sumiu. Particularmente ele não se lembra de ter sentido falta do pai, tinha sua mãe e isso era mais que o suficiente para sua infância, gostava muito dela e dos amigos dela, os vários “tios” e “tias” que vinham jantar de vez em quando, mas de repente tudo mudou, quando Mateus tinha quatro anos a mãe ficou doente, ele lembra de ouvir palavras como “tumor” e “estágio avançado”, pouco tempo depois ela estava morta e ele estava sozinho no mundo e então seu pai apareceu, muito a contra gosto, levou Mateus para morar com ele, a esposa e seus meio-irmãos. A mulher de seu pai deixou bem claro o quanto o detestava desde o momento em que o garoto colocou os pés em sua casa, seus meio-irmãos mais velhos, um garoto e uma garota faziam tudo o que era possível para maltrata-lo. Para uma criança de quatro anos acostumada com um ambiente de amor, como era com sua mãe, se viu de repente num lugar completamente hostil. Mateus sempre soube que era diferente, sua mãe havia lhe explicado isso, mover objetos, ouvir pensamentos entre outras coisas assustadoras, desde muito cedo ele entendeu que era capaz de fazer coisas que mais ninguém era, sua mãe dizia o quanto ele era especial com orgulho, mas quando sua madrasta e seu pai perceberam o que Mateus podia fazer ficaram horrorizados e pela primeira vez ele ouviu a palavra “aberração”, estava proibido de mostrar o que podia fazer a qualquer pessoa, qualquer coisa errada que acontecia em casa era sua culpa e sempre haviam os mais variados castigos, seu pai construiu um quartinho no porão, com um cadeado por fora, toda vez que achavam que Mateus havia feito algo de errado era trancado lá por horas, as vezes por dias.
Acontece que Mateus as vezes realmente fazia coisas ruins, mas nem sempre era por querer, quando seus irmãos mais velhos o maltratavam ele dava o troco de algum jeito, mas não queria machuca-los de verdade, só queria ser deixado em paz, mas as vezes perdia o controle de seus poderes, eles ficavam fortes de mais e ele não era capaz de controlar e simplesmente vazava por ele as coisas ruins, como aconteceu naquele dia em que Gabriela resolveu que seria engraçado raspar parte do cabelo dele, Mateus tentou fugir da irmã, chamou pela madrasta que simplesmente o ignorou, seu irmão ficou assistindo e rindo de tudo, ele foi derrubado no chão e sentiu os joelhos da sua irmã em suas costas, então aconteceu, perdeu o controle e seu poder vazou, de repente Gabriela atravessou o quarto e se chocou contra a parede com tanta força que o quadro que estava na parede se desprendeu e caiu fazendo uma sinfonia junto com o barulho do osso se quebrando no braço da irmã, seu irmão gritou e correu para o corredor e foi arremessado na metade do caminho caindo de cara no chão, quando Mateus percebeu o que tinha feito ficou desesperado, ele tentou explicar a madrasta o que tinha acontecido, mas foi espancado e arrastado para o quartinho, ele nunca tinha tomado uma surra como aquela e foi ai que perdeu o controle de vez.
Mateus não se lembrava direito do que tinha acontecido, nem lá e nem nas outras casas em que viveu, as vezes sonhava com alguma lembrança, mas a S.H.I.E.L.D fizera um bom trabalho em torturar sua cabeça o suficiente. E pra que? Pra conseguir seu dom e ele ser roubado. O que mais o deixava com ódio era isso, quatro anos sendo mexido, cutucado, torturado e outras coisas mais e simplesmente haviam roubado o que era seu por direito! A organização se chamava Hidra e assim como a S.H.I.E.L.D parecia ter a idéia doentia de dominação total, ele não deixaria que seu DNA fizesse parte disso.

No dia em que matou o cientista chefe de sua pesquisa teve tempo de fuçar em sua mente antes que o apagassem e dessa empreitada tirou algumas informações uteis para formar sua vingança. Ele tinha um nome Nyang Ling, uma mulher que fazia parte do conselho interno da organização que o mantivera preso por quatro anos, nos pensamentos do cientista ela aparecia ligada ao caso dele e as informações confidenciais do roubo do seu material genético, ela morava em São Paulo e trabalhava de faixada num prédio no centro, estava na hora de fazer uma visita a ela.
                                            **********************

Nyang deixou o prédio por volta das vinte e uma horas, desceu para a garagem já quase vazia e entrou em seu carro, um modelo importado da Mercedes, o estacionamento era pouco iluminado, ninguém nunca havia trocado as lâmpadas queimadas, não que ela se importasse com isso. Como sempre fazia quando entrava no seu carro jogou a bolsa para o banco do carona, colocou o cinto de segurança e ligou o rádio, mas sua não saiu musica dos altos falantes, apenas estática, Nyang se inclinou para mais perto do rádio e então seu cinto a puxou com força para trás a sufocando, as travas se baixaram sozinhas.

- Eu vi isso num filme que o doutor Alex me deixou ver uma vez e achei legal…

Ela segurou o cinto com as mãos tentando afastá-lo de seu pescoço pra conseguir respirar outra vez, pelo retrovisor interno viu uma sombra no banco de trás, então a luz interna acendeu e ela viu Mateus, arregalou os olhos.

- Surpresa?

Ele sorriu o aperto do cinto ficou mais forte contra o pescoço dela. Mateus se inclinou um pouco para frente.

- Nós temos que conversar doutora e vai funcionar da seguinte forma, você pode responder as minhas perguntas ou eu posso tirar as respostas dolorosamente da sua cabeça, de uma forma ou de outra eu vou saber o que eu quero, entendido?

De repente o aperto do cinto se foi e Nyang se inclinou pra frente tossindo antes de conseguir falar qualquer coisa, então ergueu a cabeça e olhou para ele.

- Achei que tinha morrido hoje de manhã…

- Corta essa, nenhum de vocês acreditou que eu morreria num capotamento de carro, vocês nem acreditam que eu possa morrer.

Nyang ficou olhando para ele em silencio, Mateus sorriu de um jeito meio doentio e se aproximou um pouco mais dela.

- Mas eu acho que nenhum de vocês também acreditava no que a Hidra ia conseguir fazer não é? Eles tinham um agente infiltrado na S.H.I.E.L.D não tinham? Quem é?

Ela demorou um segundo para responder.

- Não posso lhe dizer isso.

Mateus fez uma cara de decepcionado e inclinou a cabeça um pouco para o lado, então de repente Nyang sentiu como se estivessem partindo seu cérebro ao meio, a dor foi tão forte que ela bateu a cabeça contra o volante e quase perdeu os sentidos. Gemeu de dor e as palavras saíram involuntariamente de sua boca.

- O nome é Natasha Romanov, só fomos perceber o roubo depois de um tempo, a Hidra já tinha conseguido criar um gás com o material genético.

- Um gás? Que tipo de gás?

Nyang gemeu outra vez antes de responder, parecia querer resistir.

- Eles queriam achar uma forma de transmitir o que seu DNA para outras pessoas, formar um exercito.

Mateus fez uma careta.

- Isso é tão clichê. Onde está o gás?

- Descobrimos que eles estavam transportando o gás por um trilho abandonado que corta São Paulo e vai para o interior de Minas, mas alguns latões ficaram para trás. Num terreno abandonado…

Ele viu as imagens em sua cabeça do lugar, olhou para Nyang, seu nariz já começava a sangrar, saiu de sua mente, ela estremeceu e tossiu sem folego tentando se recuperar. Mateus ficou pensando no que tinha ouvido, então a Hidra havia criado um gás com seu material genético e pretendia usá-lo em pessoas, precisava dar um jeito de destruir isso, ninguém poderia ser como ele, estava fora de cogitação.

- Obrigado pela colaboração.

Disse e saiu do carro, tinha outro lugar para ir.

*****************************
Mateus parou em frente a estação e não acreditou que o lugar tinha virado um centro de festas. Depois de roubar uma moto no centro de São Paulo e fazer uma viagem de mais de uma hora pra chegar naquele lugar teria que entrar numa balada?
Estacionou numa rua paralela e voltou para a entrada da tal festa, haviam dois seguranças na entrada, Mateus deu um sorriso despreocupado e os dois se afastaram para que ele entrasse. Detestou o lugar no mesmo instante. Barulho de mais, escuro de mais, um cheiro estranho, adocicado, um ambiente perfeito para se perder o controle outra vez. Respirou fundo e se enfiou no meio da festa. Precisava encontrar os tais latões, a Hidra não seria idiota de identifica-los de um jeito que levanta-se suspeitas, tinha que torcer para que ninguém os tivesse jogado fora. Foi andando, pessoas esbarravam nele, precisou do máximo de sua concentração para deixar sua cabeça no lugar e os milhares de pensamentos dos outros fora dela. Esse foi seu erro, baixar a guarda.
Só percebeu que eles estavam ali quando era tarde de mais, eram três, dois homens e uma mulher, a S.H.I.E.L.D até que fora rápida, tinha que ser rápido, entrou no meio da pista de dança, várias pessoas dançavam, seria mais fácil de se esconder, onde teriam enfiado a droga dos latões? Então fez a ultima coisa que queria, começou a vasculhar na cabeça dos outros, para ver se algum deles tinha visto, isso exigiu mais do que queria, porque ao mesmo tempo em que rastreava os latões tinha que se manter alerta para não ser descoberto pelos agentes que o procuravam.
Então descobriu, na cabeça do barman. Eles tinha usado os latões como apoio para o balcão improvisado do bar. Balançou a cabeça sem acreditar.

- Idiotas.

Murmurou saindo da pista de dança em direção ao interior da estação onde ficava o bar.

- Fique parado.

Alguém falou em suas costas e ele sentiu algo pressionar contra suas costelas. Era a mulher.

- Você foi rápida.

Ele disse sorrindo, podia sentir a tensão dela.

- Você está com medo?

Provocou e sentiu ela segurar a raiva.

- Fique calado, vamos levar você sem chamar a atenção, mas se fizer alguma gracinha eu atiro em você aqui mesmo.

- Eu vou dizer o que é que eu vou fazer, se você não se afastar de mim nos próximos cinco segundos, eu vou matar cada pessoa dessa festa, incluindo você e os seus dois amiguinhos.

Então ouviu o barulho da arma engatilhando e percebeu que ela ia mesmo atirar nele se fosse preciso, só que ela era só humana e ele podia dar conta disso, num movimento rápido girou o corpo acertando o cotovelo contra o pescoço dela e dando uma rasteira, ela se desequilibrou para trás e ele deu um passo para longe dela, então viu um companheiro dela correndo na direção deles, atravessando a pista de dança, tinha uma arma abaixada.

- Vocês são amadores?

Mateus perguntou irritado, para que chamar tanta atenção? Ele correu para dentro, na direção do bar, esbarrou em alguém que reclamou, mas ele não deu a mínima atenção, quando avistou o balcão ouviu a garota gritar atrás dele.

- Mateus pare!

As pessoas em volta olharam um garoto correr enquanto uma dupla levantava suas armas um pouco atrás, ai começou a gritaria, as pessoas correram assustadas, Mateus ouviu o primeiro tiro quando tomou impulso para pular sobre o balcão e conseguiu girar o corpo para desviar a bala, o projétil acertou uma garota que estava próxima ao bar na hora da confusão, estava do lado de um jovem, de costas ele avistou o cabelo ruivo dela, então ouviu o segundo tiro no meio de toda a gritaria e sentiu a dor de ter seu ombro atravessado por uma bala, Mateus deixou escapar um grito e caiu para trás do balcão, sua pele queimava, perdeu completamente a concentração, o desespero dos outros o atingiu em cheio, ele se viu caído no chão sufocado, virou a cabeça para cima e viu o homem que tinha corrido pela pista de dança em cima do balcão, ele apontava a arma para Mateus.

- É melhor ficar parado.

Mateus até tentou, mas não conseguiu, fechou os olhos e deixou seus poderes vazarem outra vez.
Os latões em baixo do balcão explodiram todos de uma vez, numa explosão tão violenta que parte do telhado foi pelos ares e o fogo chegou até a pista de dança, o homem armado sumiu no meio do fogo, o cheio adocicado foi substituído por um tóxico, o gás dos tanques, a explosão do metal havia liberado todo o conteúdo, que agora se espalhava pelo lugar cheio de gente junto com o fogo.
Com a explosão Mateus fora arremessado para longe do balcão, ele se levantou com dificuldade, se sentia literalmente quebrado, olhou em volta, havia gente queimada, corpos no chão, pessoas sufocando com o gás. Maldita S.H.I.E.L.D, se não tivesse aparecido nada daquilo tinha acontecido.
Antes que alguém pudesse dar conta dele ali, Mateus já tinha sumido.
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Re: Área de jogo

Mensagem por Matheus em Qui Set 22, 2016 12:30 pm

Regras do turno:

Bem vindo ao novo turno de jogo!
Vamos falar um pouco mais sobre o gás e o envolvimento com a Hidra.
O gás que foi espalhado na região é um composto altamente tóxico, que contamina a pessoa em questão de segundos quando inalado. Apenas e só apenas por inalação que o gás surte efeito na pessoa.
Esse composto contém o gene do paciente 0 e sua contaminação varia de DNA para DNA, cada pessoa reage de um modo diferente ao gás e seu resultado.

Embora o resultado seja diferente, os sintomas de contaminação por ele são os mesmos:

- Asfixia
- Nauseas
- Tontura
- Enjoos
- Dores nos músculos
- Perda de força
- Desmaios

Qualquer pessoa contaminada pelo gás deve apresentar pelo menos quatro desses sintomas. O jogador que não seguir essa regra terá uma penalidade.

Guia de escolhas da rodada:
1) O jogador pode escolher se seu personagem foi atingido ou não por um dos tiros disparados durante a perseguição ao paciente 0 na festa.

2) Deve deixar explicado qual era sua posição dentro do espaço na hora da explosão: sendo próximo ao bar mais perto da explosão dos tanques e a pista de dança mais longe. Só existe uma entrada e saída oficial para os cliente, que fica próxima ao bar.

3) Cada jogador escolhe a forma que vai fugir do local do acidente.

4) O jogador pode escolher entre ir para o hospital ou para casa.

5) Contaminação pelo gás:
A contaminação pelo gás deforma um gene original no DNA do contaminado e o deforma, dando "poderes". Cada jogador pode escolher um poder para o seu personagem (apenas um!). Nenhum jogador terá nível alto de poder ainda, o jogador ainda é fraco e não sabe usar seus poderes direito, levando em conta isso, nessa narração cada persona deve despertar o seu poder em algum momento, mas fraco ainda.

As regras do turno devem ser seguidas para o bom andamento do jogo e contam como pontos para recompensas ou castigos.

Cada jogador à partir de agora torna-se um mutante nível 1.

Boa sorte!
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Re: Área de jogo

Mensagem por Matheus em Qui Set 22, 2016 6:08 pm

Atenção!

Poderes no início são bem confusos e difíceis de controlar. Lembrem-se que vocês não nasceram com eles e por isso tem a desvantagem de terem que se acostumar com eles. Então algumas coisas que podem acontecer se vocês tentarem abusar dos seus poderes antes de ficarem mais fortes:

- Fraqueza
- Perda dos poderes por um turno
- Desmaio
- Dores de cabeça

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Re: Área de jogo

Mensagem por Thainanpzero em Sex Set 23, 2016 11:33 pm

Ao decorrer da festa Clare ja estava meio cansada afinal trabalhara o dia todo e ainda estava em pe devido para agradar seu noivo.
Dom querido, nao vimos nenhum de nossos amigos! Disse a jovem ao seu noivo
Ok, querida vamos indo,afinal cansei de esperar o responsável e nada ate agora!Disse Dom a sua noiva
Obrigado Dom,eu e o Richard agradecemos! Disse a jovem segurando a barriga.
Mas o que o casal não contava era com a surpresa que estava por vir, no momento em que Dom e Clare chegam ao lado do bar um barulho agonizante de tiros começa e em uma pequena fracao de segundos alguns desconhecidos se jogam para trás do balcão.
Clare amor fique atras de mim! Disse Dom serio enquanto agarrava sua noiva
Dom mas o que est… E a jovem e interrompida pelo barulho de uma explosão gigantesca que toma conta do local, e em um segundo um forte gás começa a se espalhar pelo local fazendo com que os convidados comecem a cair ao chão.
Dom, socorro! Exclamou a jovem caindo ao chão.
Claree! Gritou o jovem ao catar sua noiva em seus bracos.
Nisso Dominick sai pela porta dos fundos com Clare extremamente fraca desesperado colocando a jovem em seu carro.
Aguente firme amor,vamos para casa e depois processarei esses miseráveis por fazerem isso! Disse Dom enquanto dirigia correndo olhando a jovem.
Dom nao estou me sentido muito bem! Disse a jovem.
Diga amor o que sentes? Perguntou Dominick.
Estou me sentindo muito enjoada, minha cabeça não para de rodar,sentindo como se meu corpo não respondesse mais e…!nisso a jovem acaba desmaiando no banco dos passageiros para o desespero de Dom.
Clare meu amor reaja! Gritou Dominick olhando o corpo desmaiado de sua noiva.
Droga mas o que esta acontecendo comigo? sinto-me tonto também, parece que meu estômago esta se contorcendo meus barcos doem e estou sentindo-me sufocado! disse Dom ao olhar o espelho do carro.
Nao demorou muito para finalmente Dom conseguir entrar em um hospital com sua noiva em seus bracos pedindo ajuda, assim que foi socorrido pelos enfermeiros e cair com falta de ar.
Ao finalmente acordar Dominick se depara com uma cena assustara ele o homem que nunca adoeceu estava internado ao lado de sua amada com um rosto familiar ao seu lado, Dr. Willam Ferraz Dias, o medico mais aclamado do Brasil que acompanhara a gestação de Clare por serem amigos de congresso.
Will gracas a Deus voce esta aqui meu amigo, o que aconteceu? como esta a Clare? e o Richard esta bem? Perguntou desesperado ao amigo.
Dom, vamos nos acalmar, primeiro Clare esta se recuperando bem por incrível que pareça,ela e forte apos uma serie estanha de enjoou,tontura extremamente forte, fraqueza corpórea e segundo os enfermeiro um desmaio repentino por quatro vezes seguidas ate agora, ela esta passando bem, ja voce me e curioso ser internado com sintomas de tontura extrema, náuseas,fraqueza muscular e asfixia me chamou atenção, agora infelizmente o Richard não aguentou a crise da mae e teve que ser abortado ontem a noite, lamento meu amigo! Disse o medico olhando para baixo colocando a mao no ombro do amigo.
Como assim? ela perdeu o bebe? eu perdi meu filho? Disse o jovem assustado.
Mantenha a calma Dom, primeiro me diga o que aconteceu anteontem! Disse o medico.
Anteontem? quantos dias eu dormi? Perguntou o jovem com medo.
tres dias meu amigo, assim que me ligaram mandei transferir voces para a casa ontem cheguei e comecei a cuidar de voces! Disse Will
Bem, nos fomos convidados a uma festa em um lugar estranho em Santo Andre, ficamos quase 01:30 esperando o anfitrião vir nos receber quando Clare pediu para virmos embora, e na hora que estava-mos perto da saída um tiroteio seguido de uma explosão estranha com um gás estanho nos atingiu, Clare quase caiu no chão devido o gás se eu não estivesse pego ela e corrido para o hospital! Disse Dom ao amigo
Primeiro voce fez o certo amigo, sua acao em traze-la ao hospital salvou não so a sua vida como a dela o pronto atendimento foi fantástico devo dizer! Enfatizou o amigo.
Ela vai acordar logo ? Perguntou Dom ao segurar a mao de sua amada.
Vai sim, na verdade ela acabou de dormir estava falando comigo sobre voce ate agora! Disse o medico rindo.
Bom vou indo agora, retorno as 19:00 para ver como estão tirem o dia de repouso! Disse o medico enquanto saia da sala.
Nisso passam-se algumas horas e Dom recupera as forcas para andar no quarto mas e surpreendido quando ve Clare atras dele.
Amor voce esta bem! disseram os dois ao mesmo tempo enquanto se abraçavam.
Dom me sinto meio estranha, sinto meu corpo muito frio! Disse  a jovem chorando
E eu sinto o meu pegando fogo amor! disse o jovem.
Amor sobre o bebe..!tentou falar a garota mais foi cortada pelo noivo
Nao fale nada amor prometo descobrir que foi o responsavel e quando encontra-lo farei ele pagar pelo que vez a nossa família!
Dom socorro o que esta acontecendo comigo? perguntou a jovem ao ver seus bracos começarem  a congelar.
Clare me…. E o apelo de Domick e cortado quando o mesmo se ve pegando fogo por completo, mas ao instante em que o casal se toca outro fato do destino se mostra possível  os corpos se fudem em um so, o de Dom.
Clare meu amor cade voce? Perguntou Dom ao olhar assustado e não ver sua noiva.
Estou aqui amor, mas o que aconteceu? Disse a jovem.
Aqui onde? perguntou o jovem olhando para os lados.
Dentro de voce ao que parece, Dom me tira daqui por favor! Disse a voz de Clare que ecoava na cabeça de Dom.
Como isso aconteceu? Perguntou o jovem desesperado.
Quando eu comecei a congelar e voce a pegar fogo nos tocamos lembra? Disse a garota.
Sera que tem como reverter? Disse o jovem.
Vamos pensar juntos Dom! Disse a jovem buscando resposta.
No momento em que ambos pensaram em se separar outra acao do destino se fez no local, ambos os corpos se dividiram naturalmente com suas roupasrasgadas sem mutações.
Amor! Disseram os dois se abraseando so que desta vez ficaram ali de maneira normal.

Thainanpzero

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Re: Área de jogo

Mensagem por Haide em Sex Set 23, 2016 11:51 pm

Haidé Althoff

Haidé ficou encostada ao balcão bebericando sua bebida, em festas assim sentia-se em casa, era engraçado não fazer parte da administração do evento e participar apenas como convidada, tinha que admitir que as vezes fazia bem, como um cozinheiro que ia jantar em outro restaurante.
Bebeu outro gole do seu copo e reparou nas pessoas a sua volta, reconheceu alguns rostos, alguns modelos com quem já tinha trabalhado, alguns clientes do seu pai e clientes da boate, sentiu-se satisfeita por perceber que os convidados eram só da elite. Terminou sua bebida e sinalizou ao barman outra dose, não estava interessada em conversar com amigos, seria um desperdício de tempo vir numa festa dessas e não sair com nenhuma conquista, encontrar um rostinho bonito, jogar uma quantidade exata de charme e ir embora num carro mais interessante do que o de Felipe.
O barman voltou com a sua bebida, Haidé esticou o braço sobre o balcão para alcançar seu corpo quando alguém esbarrou em seu ombro e num instante a frente do seu vestido estava arruinado numa mistura de veludo molhado, gim e tônica gelada, colocou seu copo no balcão dando um passo pra trás.

Mas que droga...

Perdão


Haidé passou a mão pelo veludo molhado, um modelo único de quase três mil dólares, sentiu a raiva queimar por dentro e virou-se para o desastrado que se desculpava pronto para mostra-lo a ira dos Althoff quando deu de cara com Felipe, na verdade com as costas bem cobertas por um caro terno, por um segundo sua raiva desapareceu por completo e ficou sem saber o que falar, o homem atrás dele era lindo, do tipo que poderia estar em qualquer capa de revista, mas não parecia tão elegante quanto seu parceiro de trabalho. O homem ergueu as mãos como se estivesse pedindo desculpas e fez um leve aceno de cabeça para Haidé, virou as costas e se afastou.
Felipe se virou para ela com um sorriso simpático nos lábios.

Tudo bem, não ensinam nem nas melhores escolas a olhar por onde se anda não é mesmo?

Disse entregando um lenço de linho para ela, então se apoiou no balcão de volta olhando para o cardápio de bebidas, chamou o barman.

O que está fazendo aqui?

Haidé olhou irritada, recobrando a fala, como Felipe podia estar parado ali ao seu lado sem não tinha convite de entrada? O barman se aproximou sorrindo e ele pediu uma batida de frutas com espumante e vodica.

Tenho os meus contatos para entrar em qualquer lugar Haidé e todo lugar tem uma porta dos fundos. Sinto muito pelo seu vestido, amanhã compramos outro.


Não creio que dê para ajudar muito em relação ao meu vestido, o pedido de desculpas não deve ser para mim, esse modelo único foi presente de Marc Jacobs, desenhado para mim como agradecimento por ter sido a modelo do catálogo da Louis Vuitton.

Ela respondeu fazendo um sinal para o barman trazer mais um gim com tônica, Felipe deu uma leve risada e se apoiou no balcão olhando para sua amiga, esticou a mão e fez um rápido carinho em seu rosto, então baixou o braço rapidamente. Haidé sentiu suas bochechas ficarem quentes e desviou o olhar para a pista de dança.

Então mande um pedido de desculpas para ele.

Felipe disse dando de ombros, o barman trouxe as bebidas, ele pegou a sua e observou a festa.

Aliás, você está linda, com ou sem bebida no vestido.

Dessa vez Haidé não sentiu raiva, olhou para ele um pouco menos hostil e o analisou, definitivamente estava muito bonito naquela noite, poderia ser modelo se quisesse, talvez ele sempre fora bonito assim e ela nunca tinha reparado. Seu sorriso mudou de frio para moderadamente simpático. Ele esticou a mão com um sorriso nos lábios, parecia estar a convidando para dançar. Haidé olhou para a mão estendida e esticou sua mão, mas apenas para abotoar o colete que usava por cima do vestido e esconder a frente destruída, ajeitou uma mecha do seu cabelo atrás da orelha e se apoiou ao balcão cruzando os braços, mantendo o sorriso nos lábios.
Felipe era um cara lindo, mas se envolver com ele poderia ser algum ruim e ela não queria correr esse risco. Lembrou de sua mãe e da conversar sobre se acertar na vida com alguém. Balançou a cabeça e bebeu um longo gole de sua bebida afastando as ideias malucas que Elena queria colocar na cabeça dela.

Já que está aqui deveria aproveitar a festa, conhecer algumas acompanhantes pra levar para o seu apartamento.


Ela se virou para o balcão e balançou seu copo vazio para o barman, ele afirmou com a cabeça em resposta.

Pode ser...

Felipe murmurou e bebeu um outro gole, então abriu a boca para dizer alguma coisa, mas desistiu no último segundo, balançou a cabeça e terminou seu drink, colocou o copo vazio no balcão.

- Vai ser difícil encontrar alguém como a minha chefe querida, mas farei um esforço.

Felipe se inclinou e lhe deu um rápido beijo no rosto, então se afastou. Ela observou ele se afastar e revirou os olhos, pegou sua bebida e resolveu subir para o mezanino, iria tirar Felipe de sua cabeça e se divertir o resto da noite, quando ouviu um estouro e uma garota próxima a ela gritou e caiu, Haidé se virou assustada, havia sangue, dois homens se abaixaram para ajuda-la, de repente havia correria e gritaria, ouviu Felipe gritar seu nome de algum lugar, viu um garoto subir no balcão e outro estouro, reconheceu que era um tiro quando ele gritou e caiu atrás do bar, tentou se afastar, mas as pessoas estavam se acotovelando e se espremendo, olhou em volta tentando encontrar Felipe, mas não parecia estar em lugar nenhum, outro cara subiu no balcão e sacou uma arma, Haidé tentou correr, mas havia pessoas de mais, gritou por Felipe empurrando as pessoas quando veio a explosão e o impacto que a atirou contra o chão.
Por alguns segundos ficou caída, havia um zumbido nos ouvidos abafando os sons a sua volta e seu ombro doía, ergueu a cabeça tentando procurar ajuda, mas o caos estava instalado no lugar, pessoas correndo, caídas, gritando, chorando, conseguiu ficar de joelhos e seu corpo reclamou, levou a mão a cabeça e viu que tinha sangue, tinha que sair daquele lugar. A manga do vestido estava rasgada e seu joelho também estava ferido, tirou os saltos e os largou lá mesmo, a gritaria aumentou e ela só teve tempo de ver o mezanino desabando onde antes ficava o bar, o fogo e escombros se espalharam ao redor dela outra vez, foi derrubada no chão pelas pessoas que corriam, foi atingida por algo pesado no abdômen e ficou sem ar, havia fumaça de mais e não conseguia levantar, seus pulmões foram enchidos por algo pesado e que queimava a garganta, tentou pedir ajuda, mas a fumaça a fazia tossir e sufocar. Acho que ia morrer.

Haidé!

Ouviu alguém chamar seu nome no meio da confusão e olhou em volta, tossindo, ergueu o braço que estava livre para tentar chamar a atenção, ouviu seu nome de novo e reconheceu que era Felipe, puxou todo ar que conseguiu inalando aquela fumaça escura e gritou. Seu amigo apareceu em poucos segundo, seu blazer estava amarrado em seu rosto e tinha os olhos assustados, ajudou a tirar o pedaço de madeira que a prendia no chão e a ergueu, Haidé tossia sufocada enquanto ele a arrastava para fora do lugar, achou que ia desmaiar, não lembrava direito como tinham saído da estação, nem como tinha entrado no carro, quando percebeu Felipe já dirigia em alta velocidade.

O que aconteceu lá dentro?

Ele perguntou.

Não vamos para o hospital.

Haidé respondeu tossindo, estava começando a sentir náuseas e tontura. Não queria vomitar no carro dele.

Ficou louca? Você está machucada e não sei o que tinha naquela fumaça, preciso te levar pro hospital agora.

Felipe disse nervoso, mas ela balançou a cabeça e repetiu que não ia pro hospital, encostou a cabeça contra o vidro do carro, seus pulmões queimavam como se pegassem fogo, não conseguia respirar, Felipe ainda falava, mas ela não conseguiu ouvir, fechou os olhos e desmaiou.

Seu corpo queimava, seus braços estavam presos atrás das costas, a fumaça a sua volta sufocava seus pulmões, que doíam por causa da força com que tossia, ouvia gritos a sua volta, abriu os olhos e eles arderam por causa do fogo e da fumaça escura, tentou se soltar, olhou em volta para pedir ajuda, a fumaça atrapalhava a visão, podia ouvir gritos, mas não conseguia ver ninguém.

Queima!

Ouvia os gritos, abriu a boca pra gritar por ajuda e tudo o que saiu foi uma tosse sufocada.

Queima!

Puxou os braços, mas havia algo apertando seus pulsos com força nas costas, sentiu uma paleta as suas costas, onde seus braços estavam atados.

Queima!

Seus olhos lacrimejaram, balançou a cabeça tossindo sua cabeça pendeu pra baixo.

Queima!

Foi então que reparou que a fumaça a sua volta vinha da madeira aos seus pés, ainda não tinha fogo, apenas fumaça.
Estava numa pira.

Acordou em pânico, abriu os olhos e por um segundo ficou cega pela claridade do ambiente, tapou o rosto com as mãos e sentiu uma dor em cada musculo do corpo, gemeu de dor e se virou de lado, suas costelas reclamaram também, assim como sua cabeça latejava e suas pernas doíam, sentiu um travesseiro fofo e um lençol, tirou o rosto das mãos e estreitou um pouco os olhos, estava num quarto de cores claras, um azul suave cobria as paredes e uma cortina branca balançava levemente pela brisa que entrava na janela entreaberta. Com algum esforço se sentou, não conseguia se lembrar de como tinha ido parar naquele lugar, seu corpo inteiro reclamava como se tivesse saído de sua primeira aula de academia.
Tudo o que se lembrava da noite anterior era embaçado em sua memória, estivera numa festa, alguma coisa tinha dado errado e agora estava nesse quarto.
Se colocou em pé e teve que se apoiar na parede, apertou o braço contra o abdômen e respirou fundo para afastar a dor.
Saiu do quarto e deu numa sala simples, mas bem equipada e bonita, também com cores claras, foi então que reconheceu o lugar, estava na casa de Felipe.

Se levantou, está melhor?

Ele apareceu na porta da cozinha, tinha uma expressão preocupada, usava uma calça jeans simples e uma camiseta, sentiu que seu esforço de andar já tinha sido mais que seu corpo podia aguentar e sentou-se no sofá.

O que aconteceu?

O que aconteceu? Você está brincando não é?

Felipe ajoelhou na sua frente.

Haidé... eu meu afastei de você por uns cinco minutos, então tudo foi pelos áres e quando eu te encontrei havia uma viga de madeira em cima de você, o lugar pegava fogo e tinha gente morta e ferida pra todo lado.

Ela conseguiu se lembrar de alguns flashs, tiros e explosões.

Eu não...sei como aquilo aconteceu...

Achei que você ia morrer no meu carro, tossia como se estivesse sufocada, não queria ir para um hospital então te trouxe pra cá, você vomitou no hall do meu prédio, vomitou na minha sala e no meu quarto.


Haidé não se lembrava de nada disso, sua garganta doía, mas não tinha a sensação de sufocamento, lembrou do sonho, seu corpo preso a uma pira que pegava fogo.

Acho que tinha alguma coisa na bebida que tomei ontem...

Murmurou dolorida, Felipe se levantou suspirando cansado.

Tive que ligar pra House e dizer que você estava doente, sabe como foi difícil não chamar seu médico te vendo daquele jeito?

Haidé sabia que se fosse ao médico levantaria suspeitas e seria ligada ao acidente, a ultima coisa que queria era ter seu nome relacionado a qualquer problema. Olhou para Felipe.

Obrigada.

Ele deu de ombros, tinha um semblante cansado como se não tivesse dormido.

Desculpe te atrapalhar essa noite...
- Essa noite? Haidé já é segunda de manhã.

Ela olhou pela janela assustada, tinha dormido por um dia inteiro? Talvez por isso seu corpo estivesse tão dolorido, respirou fundo e seus pulmões reclamaram, tossiu um pouco, mas nada que a lembrasse do sufocamento que tinha sentido. Seu abdômen doeu, sentia os músculos rígidos.

Vem, vou te preparar alguma coisa.

Felipe disse se virando para a cozinha, Haidé se levantou com um pouco de esforço e o seguiu, mesmo dormindo por um dia todo sentia-se exausta, sentou na primeira cadeira que viu na cozinha. Sua cabeça estava começando a latejar, como se alguma faísca estralasse dentro do seu cérebro, apertou as têmporas com a ponta dos dedos. Ouviu Felipe dizer que faria um chá, a porta do armário se abriu e reconheceu o barulho de água batendo no metal de uma caneca.

O que sabemos sobre a festa?

Ela perguntou ainda massageando a cabeça.

Já entrei em contato com nosso advogado e informei o que aconteceu.

A faísca em sua cabeça estralava com intensidade, massageou as têmporas com mais força fechando os olhos. Felipe continuou falando, mas já não conseguia processar direito o que ele dizia. Outra vez achou que ia desmaiar.

Pedi para ele manter o sigilo até que uma nota oficial seja lançada na mídia, mas já está averiguando o que pode ser feito, talvez um processo...

Apertou uma das mãos na testa como se pudesse conter a dor, seu corpo parecia quente, como se estivesse com febre, a voz de Felipe estava longe, até parecia que tinha voltado para a pira do seu sonho. Era quase possível ouvir as vozes gritando outra vez.

“Queime! Queime!”

Haidé?

Ouviu a voz do amigo e se assustou, levantando a cabeça de uma vez, de repente ouve um clarão na cozinha e Felipe gritou se debatendo, a frente da sua camiseta pegava fogo.
Haidé se levantou e pegou a caneca com água de cima do fogão e atirou contra ele.

Ficou louco Felipe? Não sabe acender um fogão?

Ele olhou para ela assustado, como se Haidé fosse uma pessoa estranha e não sua chefe que conhecia a anos.

Eu não...você viu...

Haidé olhou para o fogão, o fogo havia apagado e de repente não sentia mais aquela dor de cabeça. Perdeu a vontade de ficar na cozinha.

Eu..vou tomar um banho. Ainda estou com o vestido da festa, preciso tirar isso e ver o quanto estou machucada...

Felipe ficou olhando para ela em silêncio. Devia achar que ela estava ficando louca. Se virou para sair e forçou um sorriso para o amigo.

Se estiver muito ruim, vamos ao hospital.

Quando saiu da cozinha escutou Felipe voltar a se mover por lá. Por um instante tinha jurado que fora capaz de sentir as chamas do fogão, como se o fogo fizesse parte dela. Se trancou no banheiro ouvindo o sussurro das vozes do seu sonho.

“Queime...queime...queime...”

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Haide

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